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Teste de vermífugos para bovinos

Controle Estratégico de Helmintos em Novilhas Mestiças (Brangus) com Diferentes Vermífugos Comerciais


Os efeitos dos helmintos sobre os bovinos dependem da espécie e do grau de infestação, o qual por sua vez, depende de diversos fatores, como as condições climáticas, solo, vegetação, tipo de exploração, raça e idade do animal e o tipo de pastagem. Nas criações extensivas de bovinos de corte no Brasil Central, a mortalidade é baixa (2%) e a verminose se manifesta, principalmente, contribuindo para o baixo índice de crescimento dos animais (Bianchin et al, 1996).

O controle estratégico da verminose bovina é, por definição, preventivo e seus efeitos são notados somente a médio e a longo prazos. Em pastagens que ficam reservadas ou vedadas por um certo período, para serem utilizadas na fase de terminação de bovinos, os resultados de pesquisa demonstram que é vantagem dosificar os animais na entrada do pasto. Da mesma forma, sugere-se o mesmo tratamento de animais na entrada do confinamento (Bianchin et al., 1996).

Os resultados de pesquisa na região Central do Brasil, resumidos em Bianchin et al (1996), indicam que o melhor esquema de controle deve englobar o período seco do ano. O uso estratégico de anti-helmínticos nos meses de Maio, Julho e Setembro, em animais nelores, na faixa etária do desmame aos 24-30 meses, poderia ser aplicado em toda área física que abrange os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Centro-Sul do Amazonas, Pará, Maranhão, grande parte do Piauí e Bahia, a maior parte do interior de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Isto proporcionaria, em resumo, uma redução de 2% em mortalidade e um ganho médio de 41 Kg de peso vivo por animal, no abate .

O desempenho financeiro de dosificar os animais nelores três vezes ao ano (Maio, Julho e Setembro) proporciona, em dois anos, um retorno de 457,46% sobre o custo da aplicação do anti-helmíntico.

O surgimento no mercado dos endectocidas com poder residual longo, faz com que o controle estratégico da verminose preconizado nos meses de Maio, Julho e Setembro, para o Brasil Central (Bianchin, 1997), deva ser reestudado, principalmente levando-se em consideração o carrapato (Boophilus microplus) em animais cruzados.

Estudou-se um rebanho de 120 fêmeas cruzadas (Brangus), com cerca de 6 - 8 meses de idade, por um período de 1 ano (Maio/1997 a Abril/1998). Os animais foram distribuídos conforme o peso em 6 grupos de 20 animais cada um, conforme segue:
Grupo 1: Abamectin Virbac (Virbamax@ L.A)
Grupo 2: Ivermectin Merial
Grupo 3: Levamisole Fort Dodge
Grupo 4: Doramectin Pfizer
Grupo 5: Ivermectin Virbac (Virbamec@ L.A)
Grupo 6: Controle (sem tratamento).

Todos os tratamentos foram administrados pela via subcutânea, na dose de 1 ml/50 kg de peso vivo, nos meses de Maio, Julho e Setembro. Todos os animais permaneceram juntos em um mesmo piquete sob o mesmo manejo e alimentação, em uma fazenda situada nas proximidades da cidade de Campo Grande, MS. Todos os animais foram pesados e colhidas fezes de 60 animais, aproximadamente de 28 em 28 dias.

Os dados climáticos (chuva e temperatura média) ocorridos durante o período experimental, estiveram dentro da normalidade para a região, com exceção do mês de julho que não choveu.
O ganho de peso dos grupos 1, 2, 3, 4 e 5 foram significativamente maiores ao grupo 6 (controle) durante o período seco do ano. O ganho de peso não foi significativamente diferente entre os tratamentos, durante o período chuvoso.

O uso de vermífugo reduz o OPG dos animais principalmente no período seco do ano onde se concentram as dosificações.

Os resultados obtidos nas coproculturas demonstraram que os animais estavam parasitados, principalmente pelos seguintes gêneros de vermes: Cooperia, Haemonchus e Oesophagostomum .

Conclui-se que a aplicação de um vermífugo melhora o desempenho animal e diminui a contagem de ovos na fezes (OPG) durante o período seco. Os produtos endectocidas são mais eficazes na redução da contagem OPG e aumento do ganho de peso na época da seca.

Compilado de pesquisa desenvolvida pelo Dr. Ivo Bianchin. Médico Veterinário Ph.D.

BIANCHIN, I. "Controle estratégico de parasitos em bovinos de corte". Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v.6 n.2 suplemento 1. p.418-422, 1997.

BIANCHIN, I. ; HONER, M.R. ; NUNEZ, S.G. ; NASCIMENTO, y. A. do; CURVO, J.B.E. ; COSTA, F.P. "Epidemiologia dos Nematódeos Gastrintestinais em Bovinos de Corte nos cerrados e o Controle Estratégico no Brasil". reimpr. Campo Grande: EMBRAPA-CNPGC, 1996. 120P. (EMBRAPA-CNPGC. Circular Técnica, 24).

 
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