INTRODUÇÃO :
Pesquisas em literatura sobre as consequências do parasitismo de tênias, e segundo relato de Barclay, Phillips e Foemer (1982), a
taenia,
Anoplocephala perfoliata, causa intussuscepção no intestino delgado dos equídeos, podendo também ocorrer oclusão da válvula íleo-cecal, além de peritonites e enterites. Estas são transmitidas aos equídeos através da ingestão do ácaro oribatídeo (hospedeiro intermediário) presente na pastagem, fenos.
Os cavalos são os hospedeiros definitivos de um único verme chato pertencente ao gênero denominado
Anoplocephala.
Os ovos e proglotes eliminam-se pelas fezes. O ovo infestante contém um embrião hexacanto com seis ganchos, que é liberado se for ingerido por um ácaro oribatídeo, comum nas pastagens; este ovo toma-se infestante dentro do ácaro em 2 a 4 meses.
A forma larval cisticercóide, semelhante a um girino, desenvolve-se no interior do ácaro.
Os ácaros são ingeridos pelos cavalos juntamente com o pasto ou o feno. Assim que o ácaro é ingerido, a larva cisticercóide é liberada e desenvolve-se na forma de verme adulto no intestino delgado.
O cestóide
Anoplocephala perfoliata atinge apenas 8 cm, a extremidade anterior, ou escólex, é esférica com 4 ventosas. O corpo consiste de muitos segmentos: os proglotes, que são largos e delgados.
Esses vermes competem com o cavalo por vitaminas e alimento. Infestações leves causam pequenos danos, mas um grande número de vermes pode causar irritação intestinal, produzindo enterite hemorrágica ou ulcerativa, o que ocorre especialmente nas infestações por
Anoplocephala magna.
A obstrução intestinal, de consequência fatal, pode ser causada por
Anoplocephala perfoliata, agrupados na junção íleo-cecal, agravada por inflamação intestinal. As infestações leves não causam sintomas clínicos, porém altas infestações podem produzir cólica e diarréia.
OUADRO DA INCIDÊNCIA DE CESTÓIDES
Através de dados cedidos pelo Jockey Club de São Paulo, pelo Chefe do Departamento Veterinário, Dr. João Heckmayer, pudemos observar o crescente índice da incidência de cestóides, de 1992 a 1995 .
Exame de fezes -Método de Willis: Divisão de Assistência Veterinária Responsável Dr João Heckmayer
Verificamos que estes problemas ocorrem frequentemente e mediante a dificuldade de diagnóstico, procuramos aprofundar mais a pesquisa. Para tanto, iniciamos um levantamento no frigorífico de Araguari -MG, num total de 1.090 animais abatidos aleatoriamente, os quais foram separados posteriormente por procedência, para podermos observar a incidência atual de tênias regionalmente.
MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi realizada no frigorífico de equinos em Araguari -MG, onde foram separados 1.090 animais por procedência.
Foram retirados o intestino delgado e o intestino grosso, o conteúdo foi analisado e os vermes foram separados para posterior classificação; uma vez classificados, foram conservados em frascos com formoI.
CONCLUSÃO
O número de animais infestados de até 43%, dependendo da procedência, compromete economicamente o rebanho, pela espoliação da ingesta, e também predispõe às afecções referidas na introdução.
Portanto, é recomendável um estudo epidemiológico mais completo da incidência destes parasitas, bem como a recomendação de um melhor controle medicamentoso e a otimização do manejo sanitário.
PREJUíZOS CAUSADOS AOS CAVALOS PELAS TÊNIAS E A IMPORTÂNCIA DE UM CONTROLE INTEGRADO DE PARASITAS
Segundo o IBGE (1997), a população total de cavalos no Brasil está estimada em cerca de 6 milhões, dentre os quais supõe-se através de dados do mercado veterinário brasileiro, que 750.000 cavalos recebem tratamento antiparasitário regularmente (2 a 3 vezes ao ano). Até o inicio dos anos 80, este tratamento antiparasitário estava quase exclusivamente voltado ao tratamento das parasitoses causadas por vermes ditos redondos -os nematóides -porém sem controle sobre formas larvares migratórias destes.
O surgimento da ivermectina na década de 80, uma droga de amplo espectro de ação e elevada eficácia contra os vermes redondos e formas larvares destes parasitas, bem como larvas de moscas, permitiu um importante avanço no controle das doenças parasitárias dos cavalos, possibilitando melhores performances e garantia de saúde, principalmente com redução das doenças parasitárias em animais de esporte. No entanto, um fato intrigante é que desde então, a incidência de casos de cólica de causa parasitária permaneceu praticamente inalterada aos longo dos anos.
Somente após estudos recentes conduzidos no exterior, demonstrando haver uma correlação importante entre casos de cólica, obstrução intestinal com consequências fatais e a presença de vermes chatos, é que se passou a avaliar e estudar estes vermes mais atenciosamente. A alta dificuldade em se diagnosticar um cavalo como possuidor de infecções por tênias, sempre foi e ainda é um dos principais entraves à pesquisa deste problema, o que torna remota a possibilidade de diagnóstico seguro à nível de propriedade.
Os cavalos são o destino final destes vermes que competem por vitaminas e alimento, além de causar irritação e hemorragias intestinais, cuja consequência será tão drástica quanto maior for o grau de infecção do animal pelas tênias. Estes vermes chatos, conhecidos pelos nomes -
Anoplocephala perfoliata, Anoplocephala magna e Paranoplocephala mamillana - produzem ovos que são eliminados nas fezes e ingeridos por ácaros presentes nos pastos ou mesmo no feno, o que significa que cavalos mantidos exclusivamente em cocheiras também se infectam por estes parasitas quando se alimentam de feno.
A correlação entre o parasitismo por tênias e os casos de cólica equina se entende pelo fato destes parasitas terem predileção por fixarem-se em áreas do intestino do cavalo com maior probabilidade de obstrução. Uma vez constatada esta associação entre os casos de cólica e a presença das tênias, os pesquisadores em todo o mundo passaram a promover levantamentos regionais da presença destes parasitas nos rebanhos de cavalos e para a surpresa de muitos, os índices foram bastante expressivos. Apenas na cidade de São Paulo no periodo de 1992 a 1995, houve um crescimento de 32% na incidência de cavalos parasitados por tênias, crescimento este que pode ser explicado em parte pela maior conscientização do problema. Levantamentos regionais, realizados por pesquisadores nos estados do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, confirmaram que a porcentagem de cavalos infectados é realmente importante, com até 65,7% dos cavalos pesquisados no Rio Grande do Sul e 68% dos cavalos pesquisados no Rio de Janeiro sofrendo infecções por tênias, sem haver predisposições quanto à idade e raça dos animais.
Somados estes conhecimentos adquiridos ao longo dos últimos anos, fizeram despertar nos pesquisadores e técnicos uma nova orientação aos criadores para um tratamento antiparasitário integrado, de espectro mais amplo possível, o que até o momento, só pode ser obtido com combinações de drogas reconhecidas em suas potências e espectro. Isto significa que a ivermectina e outros endectocidas autorizados pelas autoridades para uso em cavalos, continuam sendo drogas de eleição no tratamento dos parasitas dos cavalos. Porém, como não possuem qualquer efeito sobre as tênias, se faz necessário combinar estas drogas a outras de efeito comprovado sobre as tênias. Dentre as drogas disponíveis para esse fim, a mais eficaz e utilizada há vários anos até mesmo em seres humanos é o praziquantel, que é muito seguro mesmo para potros, garanhões e éguas prenhes.
Com este tipo de combinação, os veterinários, conhecedores que são das particularidades do manejo de cada propriedade, bem como das diferenças regionais em função do clima, podem traçar estratégias de controle integrado, apoiados sempre em pesquisas cientificas regionais que podem recomendar o intervalo ideal entre tratamentos e também nos exames de fezes que, se não permitem um diagnóstico preciso do parasitismo do rebanho, servem ao menos como ferramenta de monitoramento da eficiência dos programas de controle parasitário. Com a divulgação de pesquisas muito recentes que indicam que os cavalos podem estar infectados por tênias já após de 2 meses de um tratamento antiparasitário, confirma-se que intervalos mais longos entre tratamentos (4 a 6 meses) resultam inadequados na maioria do casos, quando desejamos não correr riscos desnecessários.