Artigos

Busca (não utilize acentos)

Piodemites ?

Qual o antibiótico e por quanto tempo?

Alterações da microbiota bacteriana


Em infecções bacterianas da pele é necessário que haja aderência bacteriana e conseqüente colonização. A aderência está relacionada com a virulência, tropismo tecidual e suscetibilidade do hospedeiro aos agentes infectantes.

O patógeno cutâneo de maior importância nas infecções bacterianas de cães é o Staphylococcus intermedius, por ser a bactéria da microbiota bacteriana residente da pele que tem maior facilidade de multiplicação quando “espaços” são criados por alterações populacionais de outras bactérias ou fungos.

Alguns autores não tratam as piodermites como infecções verdadeiras e utilizam o termo “ocupação de nichos”, para elucidar a proliferação do S.intermedius. Além disso, o S. intermedius cria um microclima favorável à proliferação de agentes bacterianos secundários gram-negativos, além de propiciar o crescimento de leveduras do gênero Malassezia.

Sendo assim qualquer dermatopatia primária pode proporcionar uma alteração na microbiota bacteriana e possibilitar a proliferação do S.intermedius.

As piodermites podem ser classificadas segundo a etiologia em primárias e secundárias.

Dentre as dermatopatias primárias, que levam à piodermite secundária, os distúrbios de queratinização e os quadros alérgicos são os mais comumente observados. Porém as dermatites parasitárias, fúngicas, endócrinas, nutricionais, auto-imunes, além das neoplasias podem predispor o animal à infecções bacterianas secundárias.

Além da classificação etiológica em primária e secundária, as piodermites, podem ser classificadas segundo a profundidade (quadro 1). Com base neste critério as piodermites podem ser divididas em externas (colonização bacteriana somente na superfície epidérmica), superficiais (envolvem a epiderme e epitélio folicular) e profundas (invadem a derme e em alguns casos o tecido subcutâneo). Destacando-se que independentemente da profundidade e do nome particular de cada quadro, agente geralmente é o S.intermedius.

quadro 1. Classificação das piodermites , segundo a profundidade da infecção

Piodermite externa:                                      

Dermatite úmida aguda                                                 
Intertrigo                                            
                                                                                            
Piodermite superficial:

Impetigo
Piodermite mucocutânea
Folicilite superficial

Piodermite profunda:

Piodermite dos calos
Foliculite profunda
Foliculite piotraumática
Foliculite e furunculose nasal
Foliculite e furunculose podal
Foliculite, furunculose e celulite do pastor alemão
                                                                                                                                                              


· Tratamento tópico

O tratamento tópico visa remover os restos celulares e reduzir população bacteriana superficial. Os xampus antibacterianos são muito eficientes, os gentes mais comumente utilizados incluem clorexidina, peróxido de benzoíla, igarsan ou triclorfon e iodo povidona.

 A escolha do produto a ser utilizado depende das condições da pele do animal. O peróxido de benzoíla deve ser evitado em pele potencialmente irritada, podendo ser utilizada como segunda alternativa à clorexidina ou triclorfon/igarsan.

Dentre os princípios citados o peróxido de benzoíla pode ser utilizado em concentrações de 2,5 a 3,5% na pele, sendo que é o tratamento de escolha em piodermites mais profundas. Este princípio ainda pode ser utilizado à 5%, mas exclusivamente em infecções de calos de apoio, pois nesta concentração será muito irritante para o resto da superfície corpórea.

Quanto ao clorexidine, este pode ser aplicado em xampus com concentrações que variam de 0,5 a 4%, sendo mais eficiente na sua concentração de 3%.

· Tratamento sistêmico

A terapia sistêmica é necessária para o sucesso do tratamento da maior parte das piodermites e deve ser mantido por um período após ausência das lesões.
A escolha do antibiótico geralmente é empírica e deve ter ação principalmente contra Staphylococcus intermedius.

Em muitos estudos em diferentes regiões do mundo as culturas de S. intermedius, são praticamente uniformes, revelando praticamente a mesma sensibilidade (90% de eficácia) às várias fluorquinolonas e cefalosporinas, além de amoxacilina e ácido clavulônico e oxacilina. Na opinião do autor, a cefalexina na dose de 30 mg/kg, têm se mostrado mais eficiente.

Segundo Scott (2001) a enrofloxacina pode ser duas a quatro vezes mais eficiente que a difloxacina e marbofloxacina.

Outros antibióticos que podem ser utilizados (70% de eficácia) incluem eritromicina, azitromicina e lincomicina (70% de eficácia), sulfadimetoxina-ormetoprim, sulfametoxazol-trimetoprim e cloranfenicol. O emprego de antibióticos como: penicilina, ampicilina, tetraciclina, sulfonamidas não potencializadas e amoxacilina deve ser evitado, devido à sua ação restrita.

Alguns pesquisadores preferem indicar que o tratamento seja efetuado até a cura clínica do animal e que posteriormente, seja prorrogado por mais 7 dias em casos de piodermites superficiais e por mais 14 dias em piodermites profundas.

Deve-se ressaltar, que esta quantidade de dias é indicada para todos os antibióticos supracitados, incluindo a azitromicina (70% de eficácia) que muitas vezes é utilizada por 3-5 dias, fato que poderia resolver uma pidermite em seres humanos, não ocorrendo o mesmo em cães, mormente com quadros profundos. O tratamento pode ser realizado com a associação de terapia tópica e sistêmica, sendo que a tópica, principalmente aquela representada pelos banhos, irá auxiliar intensamente na recuperação do paciente, além de proporcionar a diminuição do período do uso de antibióticos sistêmicos.




Referências bibliográficas

1 - AUCOIN, D.P. Uso da enrofloxacina em infecções crônicas envolvendo Staphylococcus intermedius ou Pseudomonas aeruginosa. Previnindo o aparecimento de resistências. A Hora Veterinária, ano 14, n. 80, p.25-27, 1994.
2 - DEMANUELLE, T.C.; IHRKE, P.J.; BRAND, C.M.; KASS, P.H.; VULLIET, P.R. Determination of skin concentrations of enrofloxacin in dogs with pyoderma. Am. J. Vet. Res., .59, p.1599-1604, 1998.

3- GRIFFIN, C.E.; KWOCHKA, K.W.; MACDONALD, J.M. Current veterinary dermatology. Missouri: Mosby year book, 1993, 378p.

4 - KOCH, H.J.; PETERS, S. O uso da enrofloxacina em cães com infecções cutâneas bacterianas (pioderma). A Hora Veterinária, ano 14, n. 81, p.33-39, 1994.
5 -ELLERIN, J.L.; BOURDEAU, P.; SEBBAG, H.; PERSON, J.M. Epidemiosurveillance of antimicrobial compound resistance of Staphylococcus intermedius clinical isolates from canine pyodermas. Comp. Immun., Microb & Infec. Dise. 21, p.115-133, 1998.

6 - ROSSER Jr., E.J. German Shepherd Dog Pyoderma: A Prospective Study of 12 Dogs. J. Am. Anim. Hosp. Assoc., 33, p.355-363, 1997.

7 - SCOTT, D.W.; MILLER Jr., W.H.; GRIFFIN, C.E. Dermatologia dos pequenos animais. Interlivros, 5 ed., p.256-300, 1995, 1130 p.

8 - SCOTT, D.W.; MILLER Jr.,W.H.; GRIFFIN, C.G. Small animal dermatology. Philadelphia: Saunders, 2001. 1528p.

9 -WILKINSON, G.T; HARVEY, R.G. Small Animal Dermatology – a guide to diagnosis. 2a ed. London, Mosby-Wolf Publishing, 1994, 304p.


 
Virbac - Todos os direitos reservados
PABX: (11) 5525-5000 | FAX: (11) 5525-5020